QES – Queen Elizabeth's School

Fundação Denise Lester - Queen Elizabeth's School

"Look up, you always find a star in your life" - Margaret Denise Eileen Lester, O.B.E.

A Fundadora Denise Lester – Breve Biografia

Denise Lester

Margaret Denise Eileen Lester, OBE, filha de Gardon e Margaret Lester, nasceu em Londres a 29 de março de 1909. A sua infância foi difícil por sua mãe sofrer de uma doença rara e grave do foro circulatório, que cedo a incapacitou e que foi transmitida hereditariamente a Denise Lester. Face à doença da mãe, esta foi estudar para um colégio interno – The Convent of Our Lady Abingdon, perto de Oxford – desde os cinco anos de idade até aos dezoito, altura em que completou os seus estudos de liceu.Contrariada pelo pai na sua vontade de prosseguir estudos na Universidade de Oxford, decidiu, com dezanove anos, aceitar trabalho como precetora das crianças de uma família inglesa residente na Ilha da Madeira, tendo depois ido trabalhar em casa do Cônsul Britânico como governanta e precetora dos seus quatro filhos.

Com a colocação do Cônsul em França, Denise Lester permaneceu na Madeira, fazendo traduções para uma firma comercial, ao mesmo tempo que trabalhava na escola alemã como professora de Inglês, e como «au pair», dando aulas de Inglês.

Foi a Escola Alemã que lhe despertou as primeiras ideias de criar uma escola inglesa para crianças portuguesas.

Enquanto esteve na Madeira chefiou o núcleo feminino das Guias de Portugal e preparou-se, através de um curso por correspondência de dois anos, para a obtenção do Froebel Certificate, para o que frequentou durante um ano uma reconhecida escola inglesa.

Denise Lester na Madeira com Baden Paul

Entretanto, obteve também o Teachers Training Diploma. Depois deste percurso académico foi trabalhar para o Sul de França, dado o clima mais ameno e favorável aos seus problemas de saúde, numa missão a pedido do comissariado internacional das Guias. Em simultâneo, lecionou Inglês num colégio particular pertencente a uma senhora inglesa. Com a falência desse colégio, teve de regressar a Inglaterra. Novamente através das Guias, e ao seu serviço, foi colocada em Lisboa durante os três meses de verão, alimentando a ideia de criar um colégio inglês para crianças portuguesas – o sonho da sua vida.

Desde criança que desejava vir para Portugal: «… Um dia eu vou para aquele país, porque tem de haver um grande estreitamento de amizade entre os dois países de navegadores, de descobridores. Um dia eu vou descobrir aquela terra!»

E este sonho tornou-se realidade!

A Queen Elizabeth’s School (Q.E.S.) iniciou as suas atividades em 3 de novembro de 1935 com 6 alunos, numa sala e jardim emprestados na casa de Sofia e Fortunato Abecassis (já falecidos), e com o encorajamento do então Ministro dos Negócios Estrangeiros, Professor Doutor Armindo Monteiro. Em 1936, foi oficialmente reconhecida pelo Ministério da Educação Nacional, tendo mudado para outras instalações situadas na Travessa do Moinho de Vento em 1938, e em 1940 para a Rua da Quintinha. Durante o período da guerra, ajudou a angariar fundos para instituições de caridade, tendo a Q.E.S. servido de base ao Serviço Voluntário Feminino para um centro social de ajuda aos refugiados. Em 1952, a Q.E.S. transferiu-se para o atual edifício na Rua Filipe Magalhães, sua propriedade, oficialmente inaugurado pelo então Ministro da Educação, Professor Doutor Pires de Lima, e pelo Embaixador Britânico em Portugal, Sir Nigel Ronald, o qual para o ato inaugural foi portador de uma mensagem de sua Majestade a Rainha Isabel II.

Mensagem de Sua Majestade a Rainha Isabel II

A fundadora da Q.E.S., Miss Denise Lester, mulher notável, foi condecorada em 1943 pela Cruz Vermelha; em 1947 pelo Rei Jorge VI, como Membro do Império Britânico; em 1971 pelo Presidente da República Portuguesa, Sua Excelência Almirante Américo Thomaz, tendo-lhe sido atribuído o grau de Oficial da Ordem da Instrução Pública; em 1972 o grau de Oficial do Império Britânico, pela Rainha Isabel II, e em 1975 foi nomeada membro honorário da Legião Real Inglesa. Grande defensora da Aliança Luso-Britânica, distinta pedagoga, educadora e conferencista, grande admiradora da expansão dos portugueses, foi convidada pelo Ministério do Ultramar a falar da sua experiência educativa e de vida nas antigas Colónias Portuguesas de África. Ainda em vida, Miss Denise Lester criou a Fundação Denise Lester, oficialmente reconhecida pelo Governo Português em 1965, pessoa coletiva de direito privado de utilidade pública administrativa, proprietária da Q.E.S., para garantir a continuidade da sua obra.

A decisão de criar a Fundação surgiu na sequência de em 1964 ter sido submetida a mais uma das várias intervenções cirúrgicas feitas ao longo da sua vida – esta de particular gravidade, por lhe terem sido amputados os dois membros inferiores e recear não sobreviver. Veio a falecer, em Lisboa, no dia 18 de junho de 1982, vítima desta grave e prolongada doença. Tudo o que a Q.E.S. tem conseguido até hoje deve-se não só ao espírito de perseverança da sua Fundadora e seus continuadores, como também às colaborações das Autoridades Portuguesas e Britânicas, dos seus Corpos Docente e Não Docente, e também, muito em especial, à vontade e confiança dos pais que entregam os seus filhos ao cuidado do Colégio.

Extratos da carta de Denise Lester dirigida ao Conselho de Administração da Fundação Denise Lester, em 27/04/1969

“Não deverá nunca esquecer-se que esta escola foi criada como uma Escola Britânica para crianças portuguesas (…) tendo o ensino da língua inglesa como tal, sido sempre secundário. Este último objectivo será atingido pelas crianças, de acordo com a sua capacidade para as línguas (…) O patriotismo em relação a Portugal (ou, se estrangeiros, em relação aos seus países específicos) é sempre inculcado através dos ensinamentos morais de lealdade à família, ao lar, à turma, à escola, aos amigos, à cidade natal e ao país.

O amor pela Inglaterra é introduzido pela amizade de facto que existe há séculos e que não foi forjada pelos políticos, mas estabelecida pelo respeito mútuo e pelos costumes comuns a ambos os países e consagrados nas respectivas literaturas, histórias e canções, e consolidados nas batalhas combatidas em conjunto, sob a bandeira e o pregão de S. Jorge. Também para isto contribuem as boas maneiras de ambos os lados e o direito de se terem opiniões diferentes (sem querelas). A amizade começa quando se é jovem e permanece pela vida fora e o mesmo acontece ao senso comum e à compreensão recíproca. É isto que explica a existência das duas canções da escola: “Há rapazes e raparigas no outro lado do mar” e “Minha terra natal, a ti eu sirvo”. (…)

Sangue novo e novas ideias serão excelentes a longo prazo, mas não quebrem algumas tradições que instruímos (…) Boa sorte para a Fundação Denise Lester. Que Deus abençoe todos os esforços dos que continuarem este trabalho (…) Que o Sagrado Coração e o Espírito Santo vos guardem e inspirem, tal como frequentemente me ajudaram a mim.”

Comentários estão fechados